Foram os minutos em que não nos vimos que fizeram as horas em que nos despimos: eis uma forma porreira de começar um livro. Se isto fosse um livro, o primeiro capítulo falaria disso mesmo: das vezes em que nos despimos de pensamentos e encarnamos o olhar um do outro.
O sexo sabe a pouco quando te tenho nua para mim.
"As tuas roupas pesam tanto no teu corpo."
"Não tanto como o amor que te tenho pesa no meu."
E fizemo-nos crianças quando nos conversámos como os adultos se falam. E aí brincámos com os pensamentos um do outro: eu mostrei-te os filmes de que gostava; tu mostraste-me as músicas que ouvias.
O sexo sabe a pouco quando te tenho nua para mim.
Foi o casamento de dois melros que nunca haviam assobiado antes. A mente, que não mente, e a liberdade, de velha idade: a flexão de tudo o que foi uma paixoneta. Tudo se esvai quando te discurso nos meus sonhos. Noturnos, perversos; ou não: és-me perfeita em todos eles.
Hoje o sexo sabe-me a cancelado, a negado, a nada, e tenho-te nua só para mim. Há tantas coisas que te posso fazer quando estás nua: porquê somente amar-te?
«jd»
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