segunda-feira, 2 de junho de 2014

Quando Te Tenho Nua Para Mim

     No dia em que explicarem o que nos juntou, não há Teoria científica que se mantenha inalienável.

     Foram os minutos em que não nos vimos que fizeram as horas em que nos despimos: eis uma forma porreira de começar um livro. Se isto fosse um livro, o primeiro capítulo falaria disso mesmo: das vezes em que nos despimos de pensamentos e encarnamos o olhar um do outro.
     O sexo sabe a pouco quando te tenho nua para mim.
     "As tuas roupas pesam tanto no teu corpo."
     "Não tanto como o amor que te tenho pesa no meu."
     E fizemo-nos crianças quando nos conversámos como os adultos se falam. E aí brincámos com os pensamentos um do outro: eu mostrei-te os filmes de que gostava; tu mostraste-me as músicas que ouvias.
     O sexo sabe a pouco quando te tenho nua para mim.
     Foi o casamento de dois melros que nunca haviam assobiado antes. A mente, que não mente, e a liberdade, de velha idade: a flexão de tudo o que foi uma paixoneta. Tudo se esvai quando te discurso nos meus sonhos. Noturnos, perversos; ou não: és-me perfeita em todos eles.
     Hoje o sexo sabe-me a cancelado, a negado, a nada, e tenho-te nua só para mim. Há tantas coisas que te posso fazer quando estás nua: porquê somente amar-te?

«jd»

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