sábado, 28 de junho de 2014

Poema Pendente

As pessoas, gentes de dentes arregaçados,
não entendem o que é ser-se
deste modo destemido,
quando tudo o que se tem
são pontos nadas
prontos a perderem-se.
Tudo o que, mudo, me és
são factos a perderem-se,
apostas a perderem-se,
dinheiros a perderem-se,
e, no entanto, nunca te amei
tão vernaculamente,
porém jamais intervaladamente,
como naquela fugaz memória
em que adultos nos sonhei.

Ser é mais quando menos de tem
e eu triste, se de mim te riste,
por me teres a noventa porcento,
ou a cem.
Exausto, porventura fausto,
mas quanto mais te possuo,
mais de nós nada concluo,
porque quanto mais nos damos,
mais de nós existe para dar.

«jd»

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