Sinto-me frustrado quando não consigo encarreirar - quando não consigo correr um caminho - para voltar a jogar a vida dignamente; acredito, contudo, que mais displicente que isso é não conseguir conduzir os outros ao sucesso.
Conduzir os outros ao sucesso parece-nos vago, principalmente quando não falamos de uma finalidade clara; por outro lado, quando somos pioneiros da gestão da carreira dos outros, a tarefa falha-nos redondamente. Porquê? Porque a vida, amargurada e eletrocutada vida, tende a ensinar-nos que não podemos fazer com que os outros evitem errar-lhe. Errar: é-lhes inerente - quer lhes seja um caminho, quer lhes mostre vir a ser uma aprendizagem. Roubar-lhes essa aprendizagem é, de grosseira forma, roubar-lhes a possibilidade de se encarreirarem; claro que custa, que nos arde, ver um amigo sofrer; ver um amigo sem esperança é como vermo-nos a nós mesmos, sem horizonte, sem fé.
Quando um amigo erra, nós não somos responsáveis por esse erro; no entanto, quando um amigo erra, erramos com ele. A amizade é isso mesmo: ver o amigo errar e aceitar o seu erro - ainda que repetidamente.
Se queremos amigos encarreirados no comboio do sucesso, temos de ter a humildade de querer errar com ele: um erro conjunto, um erro em equipa, em prol do crescimento mútuo.
«jd»