Tu és a peça, o amuleto, a chave sobressalente de uma mecânica híbrida e inteligente. És o fundo, o orçamento, pano traseiro de uma aventura que mata qualquer lamento.
Não questiono os teus truques, não ambiciono o teu poder, não aclamo os teus vassalos e muito menos me dou à tragédia para te fazer sofrer. Sou tua filha, sou tua mãe, fazemos amor às vezes e não contamos a ninguém - não haveria quem acreditasse no incesto de rezar à hora de pôr o suor dos corpos a marchar.
És viúvo e eu sou solteira. Morreu o meu marido, de enfarte - julgo eu. A tua namorada deixou-te para mim, meu Deus. Há gente muita parva, realmente.
Não há grandes ciúmes, assumi há bem pouco tempo que a missionação era para mim. Deus é o meu único amor e sou-te ateia por convicção.
Amo-te, meu Deus.
A homossexualidade é um tema delicado: a antropologia rejeita, os católicos nem querem ouvir falar disso, mas os poetas têm mostrado um certo apetite por esse tema.
Ludibria-me, homem, porque sou tua. Sim: sou tua. Tua mulher. Claramente, tua mulher.
Aceito a tua metade - deixa a outra para quem amas. O amor é algo mesquinho, mas a paixão acaba por ser pior. Fizemos amor na estação dos comboios e houve um silêncio quando te vieste.
O orgasmo é uma locomotiva e nós somos todos feitos de vapor.
Entreguei-me em pedaços e exigi somente partes. Sou lésbica, sou freira, sou assassina. O meu nome é parecido com o teu. Deus não nos dotou, ficou lá para um canto e amuou.
Não quero encontrar quem não me satisfaça, ou quem me baixe o ego, ou quem finja, ou quem esteja longe; desilude-me, por favor. O amor é algo mesquinho, mas a paixão vai permitindo desilusões.
Não quero alguém que me faça sentir viva todos os dias; quero alguém que me mate todos os dias melhor que na véspera.
«jd»