Ao fim do dia fico sempre com aquela
estranha sensação de falta de estranheza; mas tu.
É tão árduo permanecer preso sem te conjugar
apaixonado, e é precisamente por esse motivo
que te amo.
Acordei ao teu lado duas
vezes: e foram vezes tão boas. Não foram?
Vou de metro para o trabalho, ou de autocarro
quando há greve - tem havido uma série delas -; mas tu.
Para onde caminhamos senão para sul? A bússula
tem andado avariada, mas só precisamos de uma
ou duas estrelas para nos guiar.
A tua sede enxaguada faz o resto.
Há comprimentos de onda, há gravidade
em todos os saltos que caem, pirâmides invertidas,
céus caídos, o campeão nacional
ficou em segundo lugar este ano; mas tu.
A tua mãe disse-me uma vez que
vícios novos não alimentam vícios antigos,
e recomendou-te-me.
Oxalá apareça amanhã
uma oportunidade de mudar o mundo devagarinho.
Tantos carros estacionados à tua janela, móveis
multados pelos parquímetros do pó; mas tu.
Andam metidos com cigarros alimentados a pilhas,
perpetuam o sofrer só pelo prazer da dor lenta.
Isto vai ser para queimar ontem:
hidrata-me amanhã.
A tua sede enxaguada faz o resto.
«jd»
terça-feira, 23 de junho de 2015
domingo, 7 de junho de 2015
Fascículo nº8
Amanhã sonhei-te vestida sem roupa,
com as brasas a arrefecer os poros,
para que a tua garganta respire
abruptamente sobre os meus ouvidos.
Sonhar-te-ei sempre mais bonita,
e a companhia perfeita para as deusas
que pairam terrestres no verso.
A criança submerge,
as cores invertem, as guerras suspendem, os ventos abrandam,
voam coisas pela terra e aterram coisas pelo ar.
Faremos melhor da próxima vez,
talvez com mais roupa,
talvez com mais pertinência,
talvez mais sábios, mais velhos, mais velhos.
E mais velhos seremos mais joviais.
Ontem sonhar-te-ei sempre mais amor,
mais fantasma, mais sombra, mais penumbra,
do que ainda não há em mim
mas decerto haverá se Deus não quiser.
«jd»
com as brasas a arrefecer os poros,
para que a tua garganta respire
abruptamente sobre os meus ouvidos.
Sonhar-te-ei sempre mais bonita,
e a companhia perfeita para as deusas
que pairam terrestres no verso.
A criança submerge,
as cores invertem, as guerras suspendem, os ventos abrandam,
voam coisas pela terra e aterram coisas pelo ar.
Faremos melhor da próxima vez,
talvez com mais roupa,
talvez com mais pertinência,
talvez mais sábios, mais velhos, mais velhos.
E mais velhos seremos mais joviais.
Ontem sonhar-te-ei sempre mais amor,
mais fantasma, mais sombra, mais penumbra,
do que ainda não há em mim
mas decerto haverá se Deus não quiser.
«jd»
Subscrever:
Mensagens (Atom)