Corrijo: não trago só coisas novas: o meu papel, enquanto escrevente, é desordenar-me e trazer as coisas velhas à baila. Vou azucriná-las; vou permutá-las; vou reciclá-las - a melhor parte de ser um escrevente renascido é a de poder mostrar o quanto progredi. Não haverá, por isso, melhor abordagem que a de mostrar os meus erros: confrontá-los sem piedade, roubar-lhes aquilo que nunca ninguém ousou extorquir. E quem melhor que eu, o próprio escrevente, para leva-lo a bom porto?
O escrevente, o Eu Escrevente, traz novos compromissos a esta casa: novos compromissos que, aparte da novidade, podem - e devem - criar um novo perfil para o Ser Escrevente. Prometo - porque é a única coisa que posso prometer - que velho padrão não será adotado.
"Chega de chegar: atrasado. Chega de: chegar atrasado- estou cansado, exausto. Exausta está a minha inovadora criatividade, exausta e cansada e apaixonada. Eis-me apaixonado: violentamente apaixonado." - dizia eu enquanto dormia. Citei por me parecer que, por algum motivo que desconheço, essa frase não é - pelo menos conscientemente - minha.
Induzi o Pseudomunduo a um coma profundo. Quase o matei; deixei-o no mesmíssimo ponto em que começo o In Munduo Veritas: apaixonado. Porém, se num tinha o "falso mundo a dois", no outro - neste novo - tenho um "mundo verdadeiro a dois"; não poderei assegurar que o blog - e o perfil - do escrevente recairá somente na perspectiva romântica a que o Pseudomunduo vos habituou. Não: só me comprometo a ser um escrevente mais diluído em dor; mais observador; mais denso de maturidade. Sou, também, mais crescido como escrevente: melhorei a minha escrita, a minha técnica; mas não penso abordar, ou gabar, essa característica como sendo a fonte da mudança do Escrevente. Não é; sou um escrevente diferente - não pela técnica de escrita aperfeiçoada - mas apenas porque vivo, sinto e respiro as coisas e as pessoas de uma forma que, outrora, não fazia sentido viver.
Não garanto, desde já, poesia. Não garanto, desde já, a poesia do antes. Se a houver, será - naturalmente e irremediavelmente - distinta. Mudei: toda a poesia, em mim, mudou. Já não vivo a utopia apaixonada; vivo a derradeira varanda enamorada, da qual nunca pretenderei ocultar detalhe nenhum.
Este blog contará, ainda, com uma assinatura diferente do Pseudomunduo: irei, sem fugir à responsabilidade de Escrevente-Autor, citar e criar alguns posts que não são da minha autoria. É óbvio que irei, como ditam as regras, usar todos os mecanismos de citação de Autor. Não quero plagiar ninguém, assim como nunca perdoaria quem me cita - por me apreciar - sem referir a minha autoria. É o autor quem mais merece ser defendido. Exatamente isso: é o autor quem mais merece ser defendido.
É este o meu compromisso: aborrecer; maltratar (a língua de Camões, jamais) -vos; expor pensamentos; criar uma nova fase do Escrevente-João; viver, impacientemente, este romance (que ela certamente me irá perdoar, por toda a exposição que aqui lhe - e nos - irei propiciar).
E, enfim, esperemos que coisas boas venham daqui, e daí. Viva a desonra de rascunhar!
«jd»
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