Perdi um pouco do escrevente que havia em mim – jamais o negarei. Perdi amigos, capacidades, tempo. Perdi tempo por ter ganho tempo. Sim: perdi tempo por ter ganho tempo.
Antes não tinha tempo – ou, se o tinha, obstruía-o com futilidades – e tinha tempo para fazer tudo a (meu) belo prazer: para fazer tudo o que (me) dava prazer. Antes não tinha tempo para nada e controlava-o de uma forma autista e impressionante; arranjava sempre um tempinho para fazer isto e um tempinho para fazer aquilo – nada ficava por fazer.
Agora, que já tenho tempo - para deixar de fazer as coisas em cima do joelho -, não o faço: deixo tudo por fazer. Não escrevo; não saio; não respiro. Exatamente: vivo a médio gás. Vivo menos para mim: matei o escrevente que cá vivia – ele vivia, já não vive. Talvez não o tenha morto, mas induzi-o num coma ocioso – o que é, igualmente, uma forma de não-viver.
O isolamento é consolador. Consola, protege, e cria uma barreira impenetrável à volta daquilo que tendemos a fantasiar como imaculado: nós. Nós não queremos ser alvo de críticas; não queremos ser vulneráveis; não queremos ser frágeis.
O isolamento é consolador: consola a dor. Sim: consola-nos a dor. Não há nada no mundo que mereça ser mais consolado do que a dor que sentimos quando não nos conseguimos isolar do que é problemático. O que nos é problemático precisa de isolamento. Pode ser uma atitude egoísta - até mesmo cobardolas – mas não passa de uma proteção do que nos é mais importante acolher: nós.
Agora, que já tenho tempo - para deixar de fazer as coisas em cima do joelho -, não o faço: deixo tudo por fazer. Não escrevo; não saio; não respiro. Exatamente: vivo a médio gás. Vivo menos para mim: matei o escrevente que cá vivia – ele vivia, já não vive. Talvez não o tenha morto, mas induzi-o num coma ocioso – o que é, igualmente, uma forma de não-viver.
O isolamento é consolador. Consola, protege, e cria uma barreira impenetrável à volta daquilo que tendemos a fantasiar como imaculado: nós. Nós não queremos ser alvo de críticas; não queremos ser vulneráveis; não queremos ser frágeis.
O isolamento é consolador: consola a dor. Sim: consola-nos a dor. Não há nada no mundo que mereça ser mais consolado do que a dor que sentimos quando não nos conseguimos isolar do que é problemático. O que nos é problemático precisa de isolamento. Pode ser uma atitude egoísta - até mesmo cobardolas – mas não passa de uma proteção do que nos é mais importante acolher: nós.
Deixei de escrever há doze semanas e ainda hoje não sei explicar o que se passa comigo. O meu lado romântico culpa o romance; o meu lado ilógico culpa a crise; o meu lado escrevente – que julgo ser o mais imparcial – culpa a falta de atividade.
Sim: a falta de atividade. A inércia - ou a tia dela.
Qual a frustração de não podermos fazer aquilo em que somos realmente bons? Imensa. É como se, acidentalmente, entrássemos numa rua sem saída e, nessa rua, não nos fosse permitido nem fazer inversão de marcha, nem reduzir a velocidade do carro: terrível, simplesmente terrível. Chocaríamos. De frente. Cornada.
Já não escrevia há doze semanas. Esse período não terminou aqui, mas decerto ouve uma interrupção nesse dormir, uma redução da velocidade do carro com que iria chocar.
Sei, pela experiência que tenho – e por ser minimamente autodidata -, que o caminho é o fim do isolamento; se foi o isolamento que me trouxe aqui, a esta maresia de inspiração, é ele – ou a falta dele -, que me vai retornar.
Já não escrevia há doze semanas.
Sim: a falta de atividade. A inércia - ou a tia dela.
Qual a frustração de não podermos fazer aquilo em que somos realmente bons? Imensa. É como se, acidentalmente, entrássemos numa rua sem saída e, nessa rua, não nos fosse permitido nem fazer inversão de marcha, nem reduzir a velocidade do carro: terrível, simplesmente terrível. Chocaríamos. De frente. Cornada.
Já não escrevia há doze semanas. Esse período não terminou aqui, mas decerto ouve uma interrupção nesse dormir, uma redução da velocidade do carro com que iria chocar.
Sei, pela experiência que tenho – e por ser minimamente autodidata -, que o caminho é o fim do isolamento; se foi o isolamento que me trouxe aqui, a esta maresia de inspiração, é ele – ou a falta dele -, que me vai retornar.
Já não escrevia há doze semanas.
«jd»
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