E ainda me chamaram de amigo.
Um amigo é, nos momentos delicados, o cobardolas que te impinge a visualização da vida de um prisma diferente do teu; é o cobardolas que te amena o espírito e que te seda os suicídios; é o cobardolas que se te injeta juízo no pensar vácuo; é o cobardolas que te faz precisar da companhia dele.
E eu fui um cobardolas a full-time.
O mundinho tá atestadinho de cobardolazinhos - graças a Deus. Os cobardolas - raça graciosamente pragmática - são quase omniscientes, quase omnipresentes, quase omnipotentes. Quase, em suma, uma base. Quase, em suma, uma base: eis uma boa definição do que é um amigo. Alguém que quer ser tudo, que luta por ser tudo, mas que só chega ao meio-alcance - alguém que fica pelo quase.
Os amigos são precisos para nada e é por isso que são tão necessitados: para quando nós somos nada - para quando nos sentimos nada. Quando te sentes nada e dizes que não precisas de um cobardolas para nada - que não precisas de um amigo para nadinha -, já estás a enviar um pedido de socorro. De socorrinho.
O amigo nunca está lá para ser feliz: está lá para te fazer sentir capaz de. De? Qualquer coisa. Nem que não consiga fazer tudo aquilo com que se compromete. Qualquer coisa é sempre qual quer coi sa. Pode nem conseguir fazer tudo, mas faz-te passar de óbito declarado a zé ninguém.
«jd»
Sem comentários:
Enviar um comentário