O amor não compadece de significado, somente de inexistência. E os amantes, os amadores - que se amam nas glórias e nas dores -, subvalorizam a forma e o engenho com que se deram a conhecer. Palavras: tudo o que os une. Quem diz que precisa de olhares e sabores nunca soube o que é ansiar por palavras. A necessidade, perturbada e emaranhada, de ter as palavras.
Ter palavras é não saber o que dizer. Não são precisas telas; ninguém precisa de calculadora; não é preciso uma tabela periódica que descreva o mundo. As pessoas - e só as pessoas pessoas - sabem-no: têm palavras e não sabem o que dizer.
As pessoas, em particular os amantes, sabem que o mundo deles - um rio - é feito de leitos acasos que fazem a foz do que é, ou será, o seu destino. Todo o amante - o verdadeiro amante - tem a humildade de dizer que não sabe o que é o amor. Eles, ele e ela, não sabem o que é o amor: são humildes o suficiente para admitirem que não são capazes de o descrever.
O primeiro amador move-se sempre na calma anárquica da sua avenida. Isso não faz dele um preponderante apaixonado: não existe tal tipologia de recém-amador. O novato trata sempre do amor como se fosse a maior das suas estóicas jóias. Aliás: estoicismo é, porventura, a maior definição de quem se aventura neste desconhecido. Nenhum primeiro amante se lançaria ao "fogo que arde sem se ver" se tivesse, de facto, munido da consciência plena dos riscos que comete; nem o segundo, que é tão indiferente quanto o primeiro.
O primeiro amador move-se sempre na calma anárquica da sua avenida. Isso não faz dele um preponderante apaixonado: não existe tal tipologia de recém-amador. O novato trata sempre do amor como se fosse a maior das suas estóicas jóias. Aliás: estoicismo é, porventura, a maior definição de quem se aventura neste desconhecido. Nenhum primeiro amante se lançaria ao "fogo que arde sem se ver" se tivesse, de facto, munido da consciência plena dos riscos que comete; nem o segundo, que é tão indiferente quanto o primeiro.
Os amantes julgam-se sóbrios.
Julgam-se sempre sóbrios; porém, mutuamente inebriados - bêbados no vinho um do outro, suados do calor um do outro, alimentados das entranhas que em si mesmos cozinham.
Naquela cidade, os amantes contam o calcetado que os conta a eles. Sabem que se tornam parentes da poesia quando sofrem um no outro, mas os gemidos da tenuidade são o foco de todo o tempo que desperdiçam um no outro.
Insaciáveis, imortais: cegos no avinagrado dos seus sexos - na química da intimidade em que se comungam. Ter-se-ão sempre amanhã e é essa a verdade que nunca os desmagnetizará. Ter-se-ão sempre amanhã: eis uma boa declaração de amor.
Julgam-se sempre sóbrios; porém, mutuamente inebriados - bêbados no vinho um do outro, suados do calor um do outro, alimentados das entranhas que em si mesmos cozinham.
Naquela cidade, os amantes contam o calcetado que os conta a eles. Sabem que se tornam parentes da poesia quando sofrem um no outro, mas os gemidos da tenuidade são o foco de todo o tempo que desperdiçam um no outro.
Insaciáveis, imortais: cegos no avinagrado dos seus sexos - na química da intimidade em que se comungam. Ter-se-ão sempre amanhã e é essa a verdade que nunca os desmagnetizará. Ter-se-ão sempre amanhã: eis uma boa declaração de amor.
«jd»
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