Às vezes temos de admitir que grande parte do carinho que nutrimos pelas pessoas não provem apenas da pessoa que elas são, mas da pessoa que somos quando estamos com ela.
Eu sou tão eu quando a água é mar, quando estou contigo, e acho que esse é o maior fundamento para uma amizade.
Gostava que as pessoas de quem gosto assim tanto se vissem pelos meus olhos, para verem o que vejo quando olho para elas: não os erros que matutam, não as imperfeições que possuem, não o passado que as persegue, mas aqueles bocadinhos de alma, de ser, de valor, que a maior parte das pessoas não vê, nem mesmo eles mesmos que vivem no seu corpo.
Tu és o exemplo disso. Tu não te vês pelos meus olhos, nem tão pouco pelos teus. És bem mais do que os erros que cometeste e mereces o dobro daquilo que te sujeitas a receber. Isso é típico das pessoas verdadeiramente boas (que são escassas! há pessoas boas, resmas delas, mas não verdadeiramente boas): aceitar o pouco que recebem e ser feliz com meia reciprocidade.
Não sejas uma pessoa verdadeiramente boa; modera-te: dá o que recebes, nunca mais, nunca menos, exatamente o que recebes, assim estarás sempre na medida certa.
Eu sei que não é fácil; não podemos mudar quem somos, nem como somos. Nascemos iguais, mas moldámo-nos de acordo que os princípios que retemos e perante aquilo que passamos e tu tiveste a sorte (talvez infelicidade para ti) de te tornar maior, interiormente, do que aquilo que desejavas.
Cada coisa a seu tempo; um dia vais ver que todos os passos que deste em falso, todas as vezes que desejaste ser comum, te levaram ao rumo certo.
Há quem nasça grande."
Cláudia Alves, "Sincero" (adaptado), Dito ao Acaso (blog), outubro 2013
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