Os cabelos dela,
cor de trigo da sua imagem,
o tom selvagem do sabor
perfumado e do aroma
encarnado e refinado
que viva imana a cada lento passo
que capto com a minha objetiva.
Há mais vida lá fora: uma
tímida passagem de nível, filas
e filas de carros,
os transportes públicos
tão amigos do ambiente,
árvores e flores e plantas com insónias
unicoloridas com o amor que todos nós
merecemos.
Mas são os cabelos dela,
são quase sempre os cabelos dela,
pintou-os no outro dia,
reparei, claro, quando
entrou no autocarro e todos a viram
e todos a amaram quase tanto quanto eu
e eu ali afogado,
tão por ela catalogada e
insanamente amado.
«jd»
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