segunda-feira, 27 de julho de 2015

Palimpsesto: Parte III

Já nem me lembro de como é que isto começou, a sério. Só te queria beijar uma vez. O mundo tem as suas singularidades perpétuas, não tem? Ontem quiseste ver os filmes dos vampiros outra vez. Estamos há um mês para ver o filme vencedor dos óscares e tu continuas a querer ver porcaria. Indolentemente, lá vou suportando as tuas manias e as tuas mesquineses, porque se há algo que acho insuportável é que alguém como tu tenha um mau marido. Sonhei contigo: nua - sobretudo. Foi a preto e branco, como se o carvão fosse sistemático quando estás quadrada no teu suor frio. Mereces o melhor dos maridos. Amei-te uma vez, e onde está a exclusividade disso senão em todas as vezes? Mereces o melhor. Nem que o melhor por vezes signifique ter lobos que sugam sangue a lutarem contra vampiros com focinhos peludos.

«jd»

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