domingo, 12 de julho de 2015

Epílogo ao Camaleão

Indolor, transparente,
e o contágio do interlúdio.

Fontes encriptadas,
desenhos apercebidos,
crentes apaixonados
e a sede da tua saliva.

Somos todos parques naturais,
desbravados na inação
da tranquilidade.
A árvore faz-nos sombra,
a floresta cai-se toda no cimento,
e as cidades são vestígios de poeira
e musgo estragado.

Tenho-te mas não por muito tempo.

Tenho-te mas não por muito tempo,
que o comboio há-de chegar para
te levar de mim.

Enquanto houver uma sombra oxigenada,
haverá um sol a tentar estragar-nos
por cima dela.

Ter-te-ei para sempre.
Quero ser triste contigo,
capturar sons e imagens na tua doce parceria,
e na companhia de quem me trata bem.

Quero que me abanes, sejas
na eternidade borboreta; meu amor,
camaleões ficaram-nos para trás.

Tenho-nos mas não por muito tempo,
que daqui a pouco a delicadeza da paixão
já será só amor carnal.

Camaleões sugaram-nos a visão noturna,
sem termos nem decretos fechados,
era de noite sempre de dia,
mas não já mais.

Era preciso jogar-se um poema de cada
vez; agora escrevemo-los todos de uma vez.

O amor era indolor, transparente, contagiante,
mas camuflado em morfina hormonal.

Somos asas, triangulos deltas,
metamorfoseamo-nos em redor das gentes,
migramo-nos para dentro de nós mesmos;
somos belbellitas enamoradas,
poesias que coexistem em uníssono.

Somos a sede da tua saliva.

«jd»

Sem comentários:

Enviar um comentário