Tenho sido um canalha, um
Há alturas para falar; e há vertigens que não me deixam falar.
É a terceira noite em que chegas de madrugada. Temos mesmo de mandar arranjar essa porta, porque o silêncio com que a abres é uma premonição de um enorme ruído entre nós. O que andas a fazer para já não investires em nós como dantes? Não ligues a luz do corredor, os miúdos têm o sono leve e ainda acordam com o teu barulho. És um desgraçado.
Vejo a tua sombra declamada pela iluminação amarela do corredor, mas recuso-me a olhar-te de frente. Tens sido um
Sabes a repulsa que sinto pela desorganização e ainda assim és incapaz de pendurar as roupas na cadeira. És tão infantil quanto os teus filhos. Sabias que tens filhos?
Porque que te deitas tão longe de mim? Porque é que já não me abraças?
Quando namorávamos a cama era infindável e o único espaço que importava era aquele em que nos recolhíamos no sexo um do outro; o que mudou desde aí?
Há momentos em que te quero; e existem intervalos em que continuo a querer-te.
«jd»
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