sábado, 16 de agosto de 2014

Horizontar Podia Ser Um Verbo

Horizonte é um destino
para o qual nos nadamos,
um espaço que em extensão
nos levitamos;
futuro limitado e imprevisível,
contam-nos os velhos
de ontem,
uma linha que limita o olhar,
crêem-no os céticos
de amanhã,
mas sem dúvida uma paisagem
que nos aumenta o sonho
de hoje.

Horizontar podia ainda ser um verbo
e bem que podia ser daqueles que é
pleno de satisfação:
de emoção?, também.

Proponho que
até ao dia, até esse dia,
horizontaremos na vertical
da espinha dorsal do nosso amor e,
quer estejamos deitados ou não,
vejamos no horizonte cada singular linha
de um nosso amor
próspero mas agasalhado.

E, atrás dessa linha que separa
o que já se vê
daquilo que ainda não se conhece,
sejamos nossos,
sempre um do outro,
mas nunca jamais outro do um.
Sabemos que não nos somos primeiros,
mas queira Deus que nos sejamos últimos.

Deus horizonta melhor do que ninguém
e patrocina os auspícios tenebrosos
daqueles que se sujeitam pouco ao erro,
mas se for para correr o risco
do anónimo e profano
que seja contigo,
meu amor,
porque há uma linha a separar o bom
do excecional,
e nós merecemos horizontar-nos
tanto
ou mais do que ninguém.

«jd»

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