Hajam corações partidos, sobrolhos,
chocalhos, peças avariadas
e tu, meu amor,
para que o meu equilíbrio
não fique comprometido.
Entretido, faço o que faço para não ser
assertivo a toda a hora.
Faço o que faço para,
pelo menos por agora
- e sob o fado incisivo e dramático -,
deixar de ser um pino leve e
cromático, informal, em desatino.
Na balança meço o tempo,
peso o espaço e amplio a alma:
infrutífera tentativa para me
lapidar a mim mesmo:
até nem era mal pensado. Que dizes?
Os outros desgastam-me, mas não tu, meu amor,
que me temperas, que me aprimoras,
que me fazes um homem melhor;
até um devoto pai futuro, porventura;
trabalhador exemplar, se as coisas melhorarem;
e a esperança de me incrementar como humano:
até nem era mal pensado. Que dizes?
Diz-me qualquer coisa, por favor,
e pode ser mesmo qualquer coisa,
porque sou estou vou receptivo
a um dia melhor,
ou a um dia qualquer
desde que não seja pior que o de ontem.
Hajam corações partidos, sobrolhos,
chocalhos, peças avariadas
mas essencialmente tu, meu amor,
para que o meu equilíbrio
nunca fique comprometido.
«jd»
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