Fui preso já lá vão duzentos e setenta e quatro meses, cinco dias e umas três horas. Há quem diga que foi uma sorte - até foi. Só não me mandes para a solitária, amor, porque não sobrevivo sem o teu recreio.
A comida na cantina é uma merdice de chorar por mais, dado o apetite, e até sinto o desconforto quando, mesmo não sozinho, tomo banho sem ti. Não te apoquentes, meu amor: não há cá sabonetes, o gel é líquido e até a minha saudade de ti é um creme de banho de marca branca.
São mais vinte e quatro meses aqui, mas nem penses em dar-me liberdade antes dos cento e vinte anos, que eu adoro a falta de espaço que tenho conseguido.
Amo-te prisão!
Minha prisão: eis uma declaração de amor criminosa. Aponta essa, senão esqueces-te.
«jd»
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