Prometi-te sofrimento desde o primeiro instante porque era tudo o que te podia prometer - porque é isso, e só isso, que um homem sensato pode prometer. A coroa?, nem sei dela. Mas sei que te iria ficar bem aos pés - aos teus belos pés.
Mataram-me aos teus pés para que me pudesses chorar. Choraste-me?, meu amor.
Há sempre o perfume, meu amor - há sempre algo que fica do que não ficou, há sempre algo que vai do que não se foi e há sempre qualquer coisinha que morre daquilo que não pôde morrer. Há sempre o perfume; há sempre o amor também, meu amor. A paixão? - esfaqueia a alma, mas nunca nos preocupamos com a alma porque tínhamos os corpos. Enquanto o meu corpo fosse teu e o teu odor mo rodeasse, continuaria com a promessa de te amar sempre mais e sempre pior e sempre a ti, meu amor. Se Deus me ajudasse e eu nele acreditasse.
Haverá sempre o perfume, meu amor: prometo-to. Essa realidade é a real idade minha e a realidade é sempre a do amante: só ele sente o que vê e vê do que sente - só eu sinto quando te vejo e vejo do que te sinto. Dá-me olhos que te sintam e dá-me o perfume de sempre, meu amor.
Acho, meu amor, que nos prometemos demasiado: éramos os corpos vestidos e agora somos os corpos vendidos. Disseste-me, naquelas tuas cartas escritas à maré do descomprometimento, que te apaixonaste pelas minhas palavras mal tas dirigi - que foi paixão à primeira conversa. Disseste que o veneno que me corria nas veias era o mais doce que já tinha arranhado os teus lábios. Ainda tens o perfume dessa altura?, guardaste-o?, meu amor.
Há sempre - e vai haver nesse sempre - o perfume, o teu perfume, meu amor.
«jd»
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